Como começou a carreira na arbitragem?
A minha carreira na arbitragem começou na época 2007/2008 quanto decidi finalmente aceitar o desafio de me meter lá no meio do campo, não foi difícil porque sempre me aliciou, sempre tive gosto em entender as regras...
Antes de te tornares juiz foste jogador. Qual a razão por essa mudança “de lado”?
Em primeiro lugar, gostava de dizer que como jogador, fui, digamos, uma lástima! Mas gostava de jogar... Infelizmente a minha equipa (S.C.Maria da Fonte) na altura, devido a minha idade e dos meus restantes colegas, não teve meios para formar um escalão para competir-mos, sendo eu, obrigado a encerrar a minha “bela” carreira como jogador. Surgiu então a oportunidade de “mudar de lado” e não pensei duas vezes.
Fala-nos sobre prova para árbitro nacional e depois a entrada no programa potenciais talentos?
Bem, o meu caso foi meio “sui generis”, já que no início da época ter me candidatado para integrar os quadros de acesso para árbitro nacional e não ter tido sucesso nessa aprovação, já que nesse ano, foi adoptada uma nova política por parte do CA, onde seriam apenas admitidos 8 árbitros para integrar esse quadro, e o critério de selecção seria um teste escrito. Realizei esse teste tendo errado 2 perguntas, o que, num ano “normal” anterior, dar-me-ia a possibilidade de integrar o quadro. Fiquei um pouco triste de facto, mas a boa nova veio logo de seguida. Qual não é o meu espanto quando soube que o CA me convidara para integrar o programa dos potenciais talentos!
Hoje, fico extremamente contente por ter falhado aquela pergunta do teste que me permitiria ir para os quadros de acesso, pois neste programa, apesar da dificuldade de sucesso ser bem maior, o conhecimento adquirido, o acompanhamento que tive é incomparavelmente superior a qualquer outro meio! Foi com muita alegria que recebi a boa notícia que fui aprovado directamente para árbitro nacional de 2ª categoria.
O que representou para ti esse novo passo na carreira?
Este novo passo, esta nova etapa é muito importante para mim! Representa o esforço que tenho vindo a fazer durante todo o ano, representa também todos os momentos maus que tive de enfrentar e aguentar, representa todas as “asneiras” que cometi em jogos, mas também representa as boas decisões e as escolhas acertadas. Estou pronto para enfrentar mais uma nova etapa.
Qual tua opinião sobre qualidade da arbitragem portuguesa?
A minha opinião sobre a arbitragem em portuguesa é um pouco desanimadora, já que acho que infelizmente as pessoas que aqui estão inseridas, de um modo geral, não se entregam a 100% na difícil tarefa que é ajuizar um jogo de basquetebol, não se actualizam, não respeitam, muitas vezes o esforço árduo das equipas que treinam a semana toda para chegar ao fim-se-semana e ter uma arbitragem não perfeita, mas no mínimo, cuidada. É claro que falo de um modo geral, e por isso as excepções têm de ser captadas e aproveitadas, e, consequentemente, compensadas pela sua entrega.
Felizmente temos grandes árbitros em Portugal. É nesses que nós, jovens, temos que seguir como exemplo para chegarmos a algum lado...
Quais os árbitros mais admiras?
Em primeiro lugar, no topo, José Simões, um árbitro de Barcelos, não sei se conhecem. É a ele que devo grande parte do meu sucesso desta etapa ganha. Foi incansável desde o início quando não tinha a mínima noção de onde estar no campo, de o que é ajuizar... Esteve sempre comigo nos momentos bons e maus, confiou e empenhou-se em tentar fazer de mim um árbitro.
Mas com ele, também tive muita gente que me ajudou como o Carlos Azevedo, a Vanessa Coelho, o Ricardo Vieira. Aprendi muito também com os meus colegas de curso como o Bruno Simões, José Martins dos quais é me prazeroso apitar.
Assim como todos os meus colegas de arbitragem e aquelas pessoas muito importantes no jogo, que muitas vezes não se dá o devido valor, os oficiais de mesa! Temos grandes profissionais na nossa associação.
Na tua opinião, o que faz um bom árbitro?
Um bom árbitro, na minha opinião é aquele que em vez de apitar, arbitra. Porque apitar qualquer pessoa o faz, arbitrar é que as coisas podem se complicar um pouco... O bom árbitro é aquele que tem sempre muito que aprender, em cada jogo, em cada colega, em cada dia; é aquele que sabe ouvir quem tem mais experiência e mesmo quem não tem, ouvir alguém que nos dá opinião é aprender; é ser humilde em qualquer situação; é não usar o apito como arma.
Falando em termos técnicos o bom árbitro é aquele que consegue saber as regras, interpreta-las, e aplica-las em campo com flexibilidade, bom senso e principalmente inteligência. É também aquele que assume o erro, é aquele que sorri quando o pode fazer, que é duro quando o tem de ser.
É muito difícil ser árbitro. É extremamente difícil ser um bom árbitro!
Assim como os atletas, os árbitros devem estar sempre bem fisicamente. Tens algum tipo de rotina para treinos?
Adoraria treinar assiduamente para me estar melhor preparado em termos físicos. Infelimente o trabalho, os hobbies laterais, a vida em si não torna fácil a gestão do nosso tempo sendo sacrificado esse ponto importante na performance de um árbitro. Felizmente nunca tive dificuldades nesse aspecto e tento manter-me bem fisicamente dando o meu máximo quando estou dentro de campo, seja que jogo for, que escalão for.
Como lidas com a pressão dentro de campo?
Isso é um factor que temos que aprender a gerir. No início era muito difícil essa gestão. Essa mesma pressão faz-nos errar, faz-nos ficar nervosos. Detestava esse sentimento dentro de campo... Hoje, com um pouco mais de experiência, adoro sentir essa pressão, adoro “não poder errar agora”! É isso que eu procuro em cada jogo, essa pressão! Sem ela o jogo fica fácil e faz-nos de nós, árbitros, espectadores do jogo. Acho que ao nível que o tempo vai passando aprendemos a gerir esse sentimento, talvez pela maior confiança que temos em nós.
Muitas vezes fico nervoso e ansioso em campo devido à pressão. Nessas alturas, a minha táctica é não me envolver emocionalmente no jogo, falando o menos possível para quem quer que seja.
Existe diferença entre arbitrar uma competição feminina ou masculina? Por quê?
Sem dúvida alguma. É bastante diferente apitar um jogo masculino de um feminino.
Num jogo masculino, seja de que escalão for, o jogo é mais claro, mais “limpo”, é-me muito mais fácil analisar um contacto.
No jogo feminino, principalmente na formação, é mais complicado gerir os contactos, distinguir movimentos ilegais. Na minha opinião é um jogo mais confuso.
Como concilias a vida pessoal e árbitro?
Isso é bastante complicado... Pois nós, durante uma época inteira, basicamente, não temos descanso! Durante a semana cada um tem o seu emprego, no fim de semana temos 3,4,5, e às vezes 6 jogos como já tive esta e outras épocas... Temos de gerir bem o nosso tempo.
Quando não estás a arbitrar assistes a algum jogo de basquete?
Sempre que posso! Também se aprender muito a ver jogos dos nossos colegas, na televisão, na internet!
Costumo ir, como é lógico, mais vezes a Guimarães ver os jogos do Vitória já que tem uma equipa na liga. Mas vejo muitos jogos na televisão também!·
De que maneira a tua família influencia na carreira de árbitro?
Apoia a 100% pois sabem que é uma coisa que gosto muito. Como já referi anteriormente, tempo é coisa que é bastante escassa e quem, muitas vezes, leva “por tabela” com esse facto é a família, pois é muito tempo fora de casa.
E quais os teus objectivos para o futuro?
Felizmente consegui fazer um “X” no objectivo anterior... Agora é trabalhar mais para realizar uma boa época, com bons jogos, sempre tranquilo.
Com trabalho tudo se consegue. Só consigo pensar realmente, em fazer uma época semelhante a esta que passou.