Eduardo Salles "não posso aceitar que se cresça só por crescer"
Written by Carlos AzevedoA saída de um clube em que tomei parte activa desde a sua fundação e para mais num momento de crescimento é sempre dolorosa, muito dolorosa, mas há princípios e formas e estar na modalidade de que não abdico. A título de exemplo não posso aceitar que se cresça só por crescer e dizer que somos o clube com mais atletas inscritos, que não haja um rumo definido para a formação e desenvolvimento dos basquetebolistas do clube, que não haja um Plano de Actividades para cada época desportiva, que não se explore em condições o potencial publicitário do nome do clube, que se tomem decisões em cafés e telemóveis e não em reuniões de direcção… e que quem as toma não tenha ligações fortes ao basquete antes tenha relações familiares com jogadores …
Felizmente que existe o princípio do contraditório e tudo o que aqui digo deve ser desmentido por alguém na secção. O futuro, estou certo, dirá quem tem razão.
Há, no entanto, algo que os actuais dirigentes devem e têm de encarar. Todos sem excepção são responsáveis pelo presente imediato e futuro da modalidade no clube. É que, em nenhum outro momento da história da modalidade na cidade houve um conjunto de circunstâncias tão favoráveis ao desenvolvimento e sustentação do basquetebol em Braga.
ABB - Sai magoado com o clube?
Eduardo - A instituição SC Braga é demasiado grande para eu sair magoado com o clube ou para este sequer dar pela minha saída.
Naturalmente saio triste com algumas pessoas da secção que, do meu ponto de vista, por omissão não estão a defender correctamente o desenvolvimento basquetebol. Outras há que por interesses pessoais por lá se insistem em se agarrar não percebendo que já atrapalham mais do que ajudam… e depois há outros directores com reduzida experiência na análise do desenvolvimento da modalidade para o clube mas que nem por isso de inibem de tomar decisões estratégicas.
ABB - O Sp. Braga nos últimos anos tem vindo a afirmar-se no panorama distrital, tendo inclusive vencido todos os campeonatos masculinos na última época e prestações positivas nas provas nacionais. Como vês essa evolução?
Eduardo - Primeiro que tudo essa evolução resulta de uma série de anos de trabalho dos jogadores e de treinadores, alguns dos quais também já não estão no clube.
Conseguindo finalmente umas condições de treino mínimas para os jogadores e com o trabalho dedicado dos treinadores dos SUB 14, SUB16 e SUB 18 os títulos apareceram.
Repare no caso da equipa que treinei, SUB 16, em 4 épocas de trabalho – dos sub 14 aos sub 16 - fomos Campeões Distritais 2 vezes! Foi de certeza um trabalho colectivo bem conseguido.
Não esquecendo os pais desses jovens que muitas vezes ajudaram transportando e apoiando os nossos jogadores.
ABB - Quais os projectos para o futuro?
Eduardo - O futuro ninguém o sabe. Uma coisa é certa continuarei a ver jogos de basquetebol! Como espectador ou treinador não sei. Naturalmente gostaria que fosse como treinador só e apenas como treinador…é só falarem comigo.